• Larissa Dias

Persona e Sombra

Atualizado: 7 de Set de 2019



Narciso - Caravaggio

Segundo Jung (2015), as personas representam as máscaras que fazem parte da psique coletiva e que se tornam papéis que são representados pela vida com a função de proteção e adaptação social, portanto, extremamente necessárias.

As máscaras desde a antiguidade são um elemento de proteção, são o que separam o Eu do Mundo. A máscara do ator o permite ser muitos personagens separados da sua individualidade; a máscara do cirurgião o protege dos perigos de contaminação da profissão, assim como a máscara de solda protege o soldador do calor do seu trabalho.


A persona é essencial para o desenvolvimento da personalidade. Ela atua durante toda a formação humana, atua também na adolescência e na fase adulta. O ser humano busca encaixar a persona que foi criada nos grupos sociais e na adolescência a necessidade de ser aceito em um grupo acaba fazendo com que as habilidades da persona sejam testadas em seus limites.


O Ego é o parceiro interno da persona e conforme Stein (2006), as personas estão sob o domínio dele. As personas são elementos conscientes embora nem sempre o ser humano possa ter consciência do tamanho do pedaço que a persona ocupa na psique.

Segundo Jung (2014), o autoconhecimento exige encontrar a sombra, para ter acesso ao nosso Si Mesmo, nosso Eu essencial. Para isso, é preciso atravessar o caminho perigoso e tortuoso que a sombra representa, e embora não existam apenas conteúdos ruins nela não é tarefa fácil pois lá está tudo que um dia foi reprimido durante a formação de nossas personas, por exemplo.


Ainda conforme Jung (2013), a psique age como uma balança e usa para isso processos de compensação. Quando um conteúdo aparece muito na consciência, existe outro lado deste conteúdo que cresce no inconsciente. Assim, quanto mais o Ego exalta a persona no mundo consciente, mais a relação do Ego com a sombra precisará ser compensada.


Se pensarmos na árvore cósmica da mitologia nórdica, a Yggdrasil, teremos em sua casca a representação das nossas personas, pois são elas que estão em contato direto com o mundo. Porém, nas raízes profundas e sombrias está toda a nutrição que a árvore tira para sobreviver e essa é a representação da nossa sombra interna.


Havia um Dragão (sombra) que morava nas raízes de Yggdrasil. Foi ele quem fez com que a árvore fosse derrubada e cumprisse o seu destino para que a raça humana pudesse prosperar em uma nova era. Da casca da árvore (persona) surgiu o único casal humano que sobreviveu à batalha final (Ragnarok) para dar continuidade à humanidade.


Deste modo, tanto a sombra como a persona mostram sua importância para nosso processo de nos tornarmos nós mesmos.



REFERÊNCIAS

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JUNG, Carl Gustav. Aion. Volume IX/2. Petrópolis: Vozes, 2013.

JUNG, Carl Gustav. O eu e o inconsciente. Volume VII/2. Petrópolis: Vozes, 2015.

JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Volume IX/1. Petrópolis: Vozes, 2014.

STEIN, Murray. O mapa da alma – uma introdução. São Paulo: Cultrix, 2006.


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